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COPAG 310

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No final de 2017, início de 2018 a Copag / Cartamundi lançou para o mercado mundial seu novo produto para mágicas. Trata-se do modelo COPAG 310.

Produzido pela Cartamundi, fabricante belga que detém 50% do capital da Copag, a marca pretende ser uma nova alternativa ao sofisticado mercado de baralhos para mágicas.

Tem, aparentemente, a intenção de substituir o modelo 139 Experience, lançado há alguns anos para ser o modelo para mágicas do fabricante. Descontinuado este último por apresentar alguns problemas, resurge a ideia da Copag lançar um modelo voltado primordialmente para o mercado mágico. Além disso, pretende o fabricante também atingir o mercado de cardistry (malabarismo com cartas), em um modelo que segue os padrões usuais para uso também em jogos.

A utilização da marca Copag (importante no mercado internacional de baralhos para pôquer), com a qualidade de produção e distribuição da Cartamundi, tradicional fabricante belga de baralhos, parece mostrar boas perspectivas de sucesso.

Em uma avaliação geral do modelo, pode-se dizer que o fabricante está no caminho certo. As características básicas dos exemplares produzidos mostram detalhes compatíveis com o que se pretende de um baralho a ser utilizado por mágicos:

 

  • Estojo discreto e bem planejado, com desenho do dorso inteiro na posição correta para disfarçar a colocação de uma carta extra.
  • Acabamento superficial de boa qualidade,
  • Dorsos com bordas brancas, adequadas para números que utilizam cartas viradas.
  • Cartas na dimensão de pôquer, padrão para execução de números de mágica.
  • Figuras utilizando o padrão internacional padrão, sem levantar suspeitas dos espectadores, que aceitarão o baralho como comum, como os utilizados em jogos.
  • Corte tradicional das cartas atendendo àqueles que utilizam embaralhamentos tipo faro ou apenas com uma mão.

O lançamento de um conjunto de cartas especiais, bem escolhidas, denominadas de "Gaff I" inicia a composição da série, importante para seu sucesso, proporcionando aos mágicos que adotarem a marca toda a gama de produtos que necessitam para seus números.

Segue uma avaliação mais detalhada da marca.

Marca

Acerta-se ao adotar uma nova marca, ainda não usada pelo fabricante, dando uma clara identificação da sua aplicação aos 'iniciados', sem, no entanto, expor ao público em geral o mercado ao qual se destina. Preservam-se, desta forma, os produtos tradicionais do fabricante, que nunca apresentarão cartas ou exemplares especiais, que poderiam ser usados em trapaças e práticas ilegais.

Dimensão das cartas

Segue o padrão poker (3 1/2 x 2 1/2 polegadas ou 88 x 63 mm), adequado e de melhor empunhadura para execução de números de mágica.

Estojo

Usa o padrão universal de baralhos de pôquer, com o desenho do dorso na face do estojo em que é aberto. Corrigindo um defeito do Experience, o desenho do dorso no estojo não contém os limites da carta.

O estojo é envolvido externamente em celofane. O fabricante facilita sua retirada colocando uma sutil, mas perceptível, abertura na parte central do estojo. Sobre a marca da fita de celofane usada para retirada do invólucro há uma pequena 'bolha' que se abre com o atrito dos dedos, ocasionando um pequeno 'buraco' no celofane. Identificada essa 'bolha', a fita de abertura é facilmente localizada, permitindo a retirada da parte superior do celofane que envolve o estojo. Um detalhe inteligente que soluciona um crônico problema em outras marcas de baralhos e de outros produtos.

Acho desnecessário envolver as cartas internamente em celofane, o que parece ser o padrão utilizado pela Cartamundi. Isto pode dificultar a eventual abertura secreta para introduzir cartas especiais (como alguma carta gaff) ou ordená-las de determinada forma. De qualquer forma isso não desabona o produto. Para retirar essa camada interna de celofane, basta 'dobrar' o baralho até que alguma parte dele se parta, facilitando seu rompimento completo.

A 'meia lua' para a abertura do estojo é um pouco pequena, embora suficiente para a retirada do baralho do estojo com segurança.

O desenho gráfico do estojo é discreto e adequado a sua utilização. O destaque da coloração do dorso em cada estojo, para cada cor, também é adequado, corrigindo outro defeito do 139 Experience, com seu estojo essencialmente preto, sem destaque externo notável para as variadas cores de dorso, importante em vários efeitos mágicos, nos quais o contraste dessas cores é utilizada.

Um detalhe pouco citado, mas importante, refere-se a parte interna inferior do estojo: naqueles mal projetados, normalmente usados por fabricantes de qualidade inferior, verifica-se a existência de linguetas e 'flaps' que dificultam a recolocação das cartas no estojo. Fabricantes de primeira linha (como é o caso da Copag / Cartamundi) apresentam estojos corretamente projetados, com a parte interior inferior lisa e sem obstáculos para a colocação das cartas. Embora comumente não mencionado, este detalhe é importante em mágicas, quando muitas vezes a recolocação do maço no estojo é executada (pelo mágico ou por um espectador). A recolocação sem obstáculos é mais rápida, além de evitar que cartas do maço tenham que ser deslocadas de sua posição original, muitas vezes seguindo uma ordenação necessária em algum número.

Composição e arranjo original das cartas

O baralho apresenta figuras e cartas numerais no padrão internacional usado pela Copag. Pouco diferem do padrão usado pelo fabricante USPC, produtor de vários modelos usados para mágica, como Bicycle, Tally-ho, Bee, além da marca Phoenix, editado por Cardshark, mas que usa o padrão USPC em suas cartas, especialmente nas figuras.

A ordenação de fábrica utilizada pelo fabricante segue o padrão usado pela USPC, ou seja, da boca para as costas inicia-se com o naipe de espadas (do ás ao rei), copas (do ás ao rei), paus (do rei ao ás) e ouros (do rei ao ás). Essa ordenação foge do padrão utilizado normalmente pela Copag, mas é utilizada pela Cartamundi em seus baralhos no estilo internacional. Por essa ordenação os reis de copas e paus ficam em posições justapostas, o que é popularmente conhecido como 'kissing kings' ou os 'reis que se beijam'.

Este arranjo original permite através de alguns embaralhamentos faro ou alguns anti-faro obter-se o baralho ordenado na sequência mnemonica, desenvolvida por Juan Tamariz, muito usada por vários mágicos. A bibliografia preparada por Tamariz para sua ordenação explica em detalhes como passar da estrutura original utilizada pela USPC para mnemonica.

Além das 52 cartas do padrão internacional, apresenta dois curingas iguais, seguindo um dos padrões usados pela Copag, retratando bufões, personagem tradicional de curingas, adotado por vários fabricantes de baralhos. Ter dois curingas iguais é útil em vários efeitos, embora muitos mágicos retirem sistematicamente os curingas dos baralhos com os quais executam seus números.

Como outras duas cartas extras o modelo apresenta uma carta duplo dorso e uma carta com a frente branca e dorso normal. Estas cartas são úteis e adequadas, porém podem levantar alguma suspeita quando um exemplar novo é aberto para execução de números. Principalmente a carta duplo dorso pode suscitar alguma suspeita de um espectador leigo.

Dorso

Desenho discreto, mas com características que demonstra facilidade para sua marcação (deveria ser um futuro projeto) e sua eventual versão assimétrica, também um projeto útil a ser eventualmente desenvolvido.

A inclusão de borda branca torna o baralho adequado para a realização de números que utilizam cartas viradas. Algum cuidado deve ser tomado, no entanto, tendo em conta as bordas brancas serem relativamente estreitas, exigindo certa atenção quando se trabalha com cartas reversas.

As cores utilizadas no produto básico (vermelho e azul) apresentam suficiente contraste, necessário em vários números.

Cartão

A qualidade do cartão utilizado é de primeira linha, com flexão, elasticidade e resiliência muito boas. Para quem não sabe, resiliência é a propriedade que tem as cartas de voltar rapidamente à sua condição original quando fletidas, sem apresentar defeitos ou deformações permanentes. Requisito importante quando estamos falando de baralhos para mágicas.

O acabamento superficial segue o atual padrão da Cartamundi que apresenta seus produtos especiais (principalmente aqueles destinados a mágicas) por "B9 Finish (True Linen)". A maioria dos fabricantes atuais de baralhos usa designações especiais ao acabamento superficial de seus produtos. Essas designações são muito mais comerciais que técnicas,

Acabamento superficial é uma característica que tem sido uma das principais preocupações de fabricantes desta nova geração de baralhos. Embora seja, de fato, um aspecto importante para baralhos mágicos, não demandaria tanta preocupação, desde que os baralhos apresentem um deslizamento de boa qualidade, principalmente depois de utilizados durante certo tempo em ambiente úmido.

Neste caso específico mostra bom deslizamento, tendo que ser avaliado seu desempenho após utilização mais intensa e em ambientes com maior grau de umidade. Por outro lado não demonstram excessivo deslizamento, o que é bom, pois muitas vezes essa característica prejudica a utilização de um exemplar muito novo, por ter eventualmente cartas espalhadas, que fogem ao controle de quem as está segurando.

Outro detalhe importante é a espessura das cartas: têm, em média, 0,32 mm, mais espessa que a utilizada no modelo Bicycle Standard normal, que apresenta 0,29 mm como espessura média de suas cartas. Esse detalhe não apresenta maior problema, mas pode, eventualmente, ser estranhado por quem manipula as cartas pela primeira vez.

Corte

Característica importante para aqueles que utilizam embaralhamento faro, ou com uma única mão em suas apresentações. A prática destes tipos de embaralhamento é preferencialmente executada quando o baralho é cortado pelo chamado método 'tradicional'. Este se caracteriza quando a ferramenta de corte inicia o processo pelo dorso das cartas, pressionando-as para a frente das cartas. Desta forma lados com rebarbas são observados nas faces das cartas, facilitando seu intercalamento durante cada embaralhamento.

Vários fabricantes atuais cortam as cartas de maneira contrária a esta, com a ferramenta de corte entrando antes pela frente das cartas, tornando os embaralhamentos mais 'truncados', especialmente os faros. A USPC usou, primordialmente, o corte tradicional até alguns anos, mas passou a utilizar o corte não tradicional há algum tempo. Na verdade o lado que o baralho é cortado não é uma preocupação dos fabricantes, encontrando-se muitas vezes cortes feitos em direção opostas, sem um critério seguro.

Além da forma como o corte é feito, muitos fabricantes passaram a trocar as ferramentas de corte dos baralhos em períodos maiores (anualmente, em muitos casos), o que deteriora muito o acabamento das cartas, fazendo com que as bordas exteriores sejam mais finas que a parte central das cartas. Esta característica torna os embaralhamentos, especialmente os faro, mais difíceis de serem executados.

Alguns editores de baralhos para mágicas têm se preocupado com este detalhe e produzem baralhos que atendem o corte 'tradicional'.

A maneira prática de saber qual lado foi utilizado é segurar as cartas por um de seus lados (pelo dorso, por exemplo), para cima; separando-se as cartas para um dos lados passamos as pontas dos dedos sobre a superfície lateral das cartas: se encontramos a superfície bem macia significa que as cartas foram cortadas, neste caso, do dorso para a frente, ou seja foram cortadas com o dorso voltado para a ferramenta de corte; usando, portanto o corte tradicional.

Ainda neste exemplo, se virarmos o maço com as frentes para cima e passarmos os dedos sobre a lateral sentiremos a superfície mais áspera, significando que este é o lado contrário ao corte.

Este teste aplicado ao baralho em análise nos leva a concluir que a marca 310 foi cortada do dorso para frente, seguindo a preferência dos que praticam o embaralhamento faro. Utiliza, portanto, o corte tradicional, um dos qualificativos a serem acrescentados à marca.

Conclusão

O lançamento do modelo 310 parece recolocar os fabricantes Copag e Cartamundi no mercado de baralhos mágicos de maneira mais adequada e informada. Cabe agora a estes importantes fabricantes tornarem o modelo realmente um conjunto de baralhos, com a maioria dos tipos e variedades de exemplares e cartas especiais. Só assim oferecerão um produto que seja alternativa viável aos baralhos atualmente usados por mágicos em todos o mundo, especialmente as marcas Bicycle e Phoenix (Cardshark) que apresentam estruturas bem completas e consolidadas no mercado.

Não podemos nos esquecer que o preço do exemplar padrão e de suas variações deverá acompanhar o mercado, que parece acomodar preços um pouco maiores, quando composto por produtos adequados e de fácil aquisição.

 

Cláudio Décourt (Ruberdec) 2ª revisão - 10 de setembro 2018

Cartamundi Copag 310 True Linen B9

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